Na França, estima-se entre 20 mil a 60 mil transgêneros e, a cada ano, cerca de 65% delas são vítimas de discriminação. De fato, os estereótipos de gênero constituem um obstáculo alarmante para uma verdadeira inclusão e favorecem a discriminação. No entanto, como todas as violências, a transfobia deve ser assunto de todos. A transidentidade é o fato de não se identificar com o sexo atribuído no nascimento. As pessoas que se identificam com o sexo atribuído no nascimento são cisgêneros. E as pessoas que não se identificam com o gênero ao qual foram atribuídas no nascimento são chamadas de trans. O restante deste artigo revela alguns elementos que permitirão quebrar os estereótipos para uma verdadeira inclusão.
Compreendendo a identidade de gênero
A identidade de gênero é parte integrante da identidade de uma pessoa. Refere-se ao gênero com o qual uma pessoa se identifica, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído no nascimento. Para quebrar estereótipos e promover a diversidade e a inclusão, a compreensão da identidade de gênero é vital. A identidade de gênero é um conceito delicado e é importante reconhecer que vai muito além da classificação binária de homens e mulheres. De fato, a identidade de gênero é uma experiência pessoal e cada indivíduo a expressa de maneiras diferentes. Algumas pessoas podem se identificar com o sexo atribuído no nascimento, enquanto outras podem se identificar com um gênero diferente daquele atribuído no nascimento.
O impacto do contexto social na identidade de gênero
O contexto social desempenha um papel importante na formação e definição da identidade de gênero. Desde o nascimento, uma criança é exposta às normas da sociedade e às expectativas associadas à sua identidade de gênero. Essas normas e expectativas podem vir de diferentes fontes, entre elas a família, os pares, a mídia e a cultura. De fato, a influência do contexto social na identidade de gênero pode ser observada em diversos aspectos da vida, incluindo o comportamento, as atitudes e as crenças. Para quebrar os estereótipos e promover a inclusão, é essencial compreender o impacto do contexto social na identidade de gênero.
Aqui estão algumas ideias sobre como o contexto social afeta a identidade de gênero:
- Construção do gênero: o gênero não é uma característica fixa ou inata, mas sim uma construção social que é feita pelo contexto social. O gênero é criado por interações sociais e muda constantemente.
- Estereótipos de gênero: são crenças amplamente difundidas sobre características, traços e comportamentos considerados adequados para homens e mulheres. Note que os estereótipos de gênero são reforçados pela socialização e podem impactar a identidade de gênero dos indivíduos.

Como quebrar os estereótipos para uma verdadeira inclusão?
Garantir que não se reforce artificialmente a atribuição de gênero de crianças e adolescentes
Mais concretamente, isso significa que não se deve tratar as crianças « como menina » ou « como menino ». Isso remete a uma educação sem gênero, não se trata de ditar comportamentos com base no gênero suposto delas. Também significa não obrigar os alunos a vestimentas diferenciadas, a equipes ou grupos não mistos. É preciso, sobretudo, favorecer a autodeterminação dos alunos. O pessoal educacional não tem que decidir quem é menina ou menino, ainda mais que alguns não se identificam nem como um nem como outro.
Deixar espaço para que a transidentidade se expresse
Pode-se participar na redução do grau de violência contra alunos trans e na desconstrução da transfobia alheia através de discursos inclusivos, da visibilidade das temáticas trans nos materiais pedagógicos, na literatura, mas também por meio de exercícios de teatro ou jogos de papéis, por exemplo. Assim, é importante utilizar uma linguagem epicena e não generificada. De modo geral, é essencial abordar a transidentidade como uma realidade que faz parte das nossas sociedades, não apresentá-la apenas sob um viés dramático, não patologizá-la com termos médicos ou psiquiátricos. É preciso normalizá-la, torná-la algo que faz parte do cotidiano.
Para quem prefere partir diretamente para a ação, as cam trans estão aí para realizar essas fantasias.
Apoiar pessoas trans de forma individualizada
É importante acolher e apoiar uma pessoa que está saindo do armário. Às vezes, a família frequentemente exerce violências, pelo menos psicológicas, contra ela. É essencial que os próximos apoiem a pessoa de forma muito concreta. Por exemplo, facilitando a mudança de nome nos documentos do dia a dia, ao se dirigir a ela, usar sistematicamente o gênero correto, mas também ao falar sobre ela, mesmo na sua ausência. Além disso, você também pode oferecer apoio material para a compra de roupas, acessórios… Acima de tudo, fique atento aos sinais de mal-estar que possam surgir ou se agravar.

Desconstruir a própria transfobia
Vivemos em um mundo profundamente transfóbico. Temos o dever de nos educar, ler, ouvir e questionar nossas próprias representações e reflexos. Podemos tender a projetar diversas normas sobre o que as pessoas trans supostamente são ou sentem. Mas é importante saber que o bem-estar das pessoas trans diz respeito a cada ser humano. Portanto, é essencial nos informarmos sobre a visibilidade da comunidade trans e sua importância.
Se baser sur l’autodéfinition
É crucial permitir que as pessoas se definam por si mesmas. Isso significa que uma pessoa que não se identifica com as normas de gênero que lhe foram atribuídas ao nascer não é considerada trans até que ela mesma declare. Saiba que existem mulheres que se alinham mais a normas de gênero masculinas e homens que se alinham mais a normas de gênero femininas (mulheres ou homens, cis… ou trans). Por exemplo, as butchs e as bichas fazem parte da comunidade queer e não são necessariamente trans por isso. Saiba que não nos cabe julgar a permanência ou a legitimidade de uma identidade.
Observe que, com o objetivo de educar, promover a inclusão e combater todas as formas de transfobia, ações como o Dia Mundial da Visibilidade Transgênero são realizadas. Essa iniciativa é benéfica para garantir o bem-estar e a aceitação das pessoas trans na sociedade.







