janeiro é a estação perfeita para o sexo. De facto, o tempo frio é uma excelente desculpa para explorar as suas fantasias. Sim, perfeito. Porque o frio obriga os corpos a aproximarem-se, porque os serões se prolongam sob luzes fracas, porque o tédio é um poderoso gatilho para as fantasias. Assim, aqui ficam 10 filmes super-sexy para ver ou rever e desfrutar da emoção.

E quando se gosta de sexo – o verdadeiro, aquele que estimula a imaginação, perturba um pouco, excita muito – o cinema é uma arma formidável.
Não a pornografia mecânica. Mas aqueles filmes que despertaram desejos, curiosidades e ânsias que ainda não nos atrevemos a nomear. Alguns educaram gerações inteiras. Outros continuam a acender os fogos de hoje.
Aqui estão 10 filmes de culto, por vezes explícitos, muitas vezes perturbadores, para serem vistos com uma intenção clara: sentir vontade de o fazer.
Despertar o desejo quando ele está adormecido (mas não morto)
De Olhos Bem Fechados (1999)
Sinopse
Tudo começa com uma frase dita no círculo íntimo do casal. Uma confissão sexual tardia e mal digerida que abala a imagem tranquilizadora de um casamento burguês. Ele sai para a noite. Uma noite estranha, algodonosa, saturada de tentações. Cada encontro parece abrir uma porta: uma mulher demasiado direta, uma noite demasiado elegante, um ritual secreto onde os corpos são oferecidos mas mascarados. O sexo está em todo o lado, omnipresente, mas sempre fora do alcance. O desejo alimenta-se do que não pode consumir.
Porque é que é tão excitante
Porque o filme envolve a imaginação até ao ponto da obsessão.
Veja-o se…
Gosta quando a fantasia assume o controlo antes do corpo.
No Âmbito do Amor (2000)
Sinopse
Dois vizinhos encontram-se por acaso, em escadas estreitas, corredores demasiado apertados e ruas encharcadas pela chuva. Descobrem que os seus cônjuges as estão a trair… juntos. Conversam, caminham, comem, contam histórias uns aos outros. O desejo apodera-se lentamente deles, quase sem se aperceberem. Eles sabem muito bem o que pode acontecer. Mas optam por não ceder. Cada silêncio transforma-se em tensão sexual. Cada olhar é uma carícia adiada.
Porque é que é erótico
Porque o desejo frustrado é uma subida lenta, quase insuportável.
Veja-o se…
Gosta quando a falta faz o seu coração (e tudo o resto) bater mais depressa.
Fantasias, dominação, jogos de poder
Secretária (2002)
Sinopse
Uma jovem frágil, marcada pela auto-mutilação e pela vergonha, entra ao serviço de um homem frio, rígido, quase desumano. Muito rapidamente, algo não-verbal se instala: regras implícitas, autoridade silenciosa, tensão constante. Os castigos tornam-se esperados. Desejados. O filme explora uma relação em que a submissão não tem a ver com humilhação, mas com a recuperação de si próprio através do corpo.
Porque é que incomoda (e excita)
Porque mostra que o desejo pode nascer onde menos se espera.
Veja-o se…
Tens curiosidade em saber o que te excita quando o poder muda de mãos.
9½ Semanas (1986)
Sinopse
Um encontro. Depois, uma relação que rapidamente desliza para um terreno erótico estruturado por jogos, cenários e experiências sensoriais. As regras nunca são claramente estabelecidas. O prazer aumenta, torna-se ritualizado, depois começa a preocupar-se. O desejo torna-se invasivo, quase hipnótico.
Porque é que é de culto
Porque este filme lançou as bases para uma imaginação erótica moderna, lenta e planeada.
Veja-o se…
Gostas de sexo quando é um role-playing.
Voyeurismo assumido, curiosidade sem filtros
Os Sonhadores (2003)
Sinopse
Paris, 1968. Três jovens adultos fecham-se num apartamento enquanto o mundo exterior arde em chamas. Os corpos são revelados, provocados e testados. Brincamos de olhar, de sermos olhados, de ultrapassar limites sem sempre os nomear. O desejo flui livremente, sem urgência, numa atmosfera suspensa.
Porque é que é excitante
Porque o olhar se torna um ato sexual por si só.
Para ver se…
Gosta da emoção do meio-termo.
Shortbus (2006)
Sinopse
Em Nova Iorque, personagens em busca de orgasmo, ligação ou simplesmente contacto cruzam-se. Os corpos são mostrados tal como são: imperfeitos, sinceros, empenhados. O sexo é real, visível, mas nunca cínico.
Porque é que é perturbador
Porque o filme mostra o prazer sem hierarquia ou desempenho.
Veja-o se…
Gosta de explorar universos sexuais múltiplos e desinibidos.
Sexo explícito, desejo sem rodeios
Amor (2015)
Sinopse
Desde os primeiros minutos, o filme dá o mote: o sexo não será nem metafórico nem fora do ecrã. Um homem acorda sozinho, assombrado pela memória de uma relação apaixonada e destrutiva. Através das suas reminiscências, o filme desenrola uma história de amor contada quase exclusivamente através do corpo.
Assistimos a cenas de sexo reais, não simuladas, filmadas de frente, sem música para suavizar ou edição para tranquilizar. Há uma cena em particular que se tornou emblemática – e chocante para muitos – em que a intimidade é mostrada na sua forma mais crua: dois corpos abraçam-se, totalmente expostos, num abandono quase ingénuo, quase violento na sua sinceridade. Nenhum esteticismo “sábio” para proteger o olhar. Apenas a realidade.
Mas o mais perturbador não é o sexo em si. É aquilo de que nos fala: a ilusão de que a paixão é suficiente, a confusão entre intensidade sexual e amor duradouro, a forma como o desejo se pode tornar uma prisão.
Porque é que é explicitamente perturbador
Porque o filme se recusa a aceitar qualquer distância confortável. Obriga o espetador a olhar para o sexo como uma memória emocional, não como um espetáculo. Não nos excitamos “contra” o filme, mas com ele, por vezes apesar de nós próprios.
Sugestões de visionamento
Ver com a consciência de que este filme pode despertar :
- memórias,
- frustrações,
- comparações.
Claramente não é um filme neutro. Mas um filme que deixa a sua marca.
Ninfomaníaca (2013)
Sinopse
Uma mulher é encontrada ferida num beco. É acolhida por um homem culto, benevolente, quase paternalista. Ao longo de uma noite inteira, ela conta-lhe a sua vida sexual – sem tentar seduzir ou chocar deliberadamente. Apenas conta.
As histórias sucedem-se: primeiras experiências, acumulação de parceiros, procura compulsiva de sensações, cenas sexuais mostradas de forma crua, por vezes clínica. Também aqui, algumas das imagens são chocantes pela sua frontalidade: corpos alinhados, gestos mecânicos, uma ausência total de romance. O sexo é mostrado como uma necessidade, por vezes desprovida de prazer, por vezes violenta na sua repetição.
O filme alterna entre cenas extremamente explícitas e comentários quase intelectuais, criando um contraste perturbador: o sexo nunca é idealizado, mas dissecado, analisado, por vezes despojado da sua magia.
Porque é que é radicalmente diferente
Porque não é um filme “sexy” no sentido clássico. É um filme que coloca uma questão brutal: o que resta do desejo quando ele é consumido sem limites? É precisamente daí que vem o mal-estar: estamos a ver sexo, mas não sabemos bem porquê. E esta perda de orientação é deliberada.
Dicas de visionamento
Imperdível para quem gosta de filmes que não elogiam a fantasia, mas a põem à prova. Este não é um filme para “ficar excitado rapidamente”. É um filme para confrontar a sua própria visão do desejo.
Observações finais
Estes filmes existem para nos lembrar de uma coisa: o sexo explícito não é automaticamente excitante. Mas é sempre revelador.
Os filmes aqui citados dividem, perturbam e por vezes repelem – e é precisamente por isso que pertencem a este sítio. Porque mostram o que muitos conteúdos evitam: o desejo sem filtros, sem uma narrativa tranquilizadora, sem a promessa de um final feliz. Desejo, sexo. Algo para o aquecer para janeiro!
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